Friday, December 17, 2010

"É sempre depois do sexo que se vê beleza no amor. Porque não parece mais amor, com todas as suas convulsões. Só dois corpos repousando em posição refratária, inspirando flacidez e expirando as últimas partículas de erotismo. Exaustos, emaranhados, jogados, voltando à temperatura ambiente. O suor agridoce da pele gaseificando, a afeição condensando. A gente se olha com as pupilas tácitas e inchadas, calados como dois pubertários que acabaram de fazer arte.
Tira-se a roupa pra transar, mas é depois que se fica nu de verdade. Aí sim o desejo mais ingênuo salta aos olhos. Ficamos lúcidos, indefesos, satisfeitos. Não se faz necessário tarimbar o sentimento. Não querer levantar da cama é dizer eu te amo. Depois do tesão animal, do untar da pélvis, do desparafusar do molejo, ouvir "me abraça forte e fica quietinho" é uma declaração."

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