Sunday, August 01, 2010

"(...) Silêncio! Não está me deixando fluir com tanto julgamento que lança em minha direção. Relaxe. Deixe a apostólica romana de lado, ouça um bocadinho, e depois cate aí dentro pra ver se você também não tem as suas irreveláveis. Veja bem, a coisa preto no branco, me espanta também. Com quem seria, que menino? Minhas amigas tem filhos dessa idade. Eu não olho pra eles pensando isso. Se acontecesse teria de me esconder atrás de um móvel, atrás de uma cara besta. Que besta! Seria feio e meu desejo é quase bonito. O meu menino é desconhecido. Eu o terei por um dia, sabe? Depois nunca mais. Ele não é magro nem gordo, alto ou baixo. É um menino comum sem nada de especial além do fato de ser quieto. O momento é diferente de tudo. É melhor que tudo. Tudo não existe. Existe ele e eu. Ele quer que passe logo. Que aconteça alguma coisa. Que ele possa morder, pular, que eu o deixe gritar e depois sufoque seus ímpetos nos meus peitos (...) E eu quero que ele se esvazie para encher-lhe os sentidos de hálitos e saliva, calor, suor... Eu o levarei para um lugar que há em cada um, onde a consciência se acalma e os sentidos afloram, bem devagar. Bem devagar como uma dança redonda. Com água na boca, naquele dia inteiro eu vou fazer caber tudo que não se aprende pensando. Bem devagar. Passo a passo, como se eu fosse uma mãe indo embora vou ensinar pro menino tudo que ainda não sei. Coisas de um amor sem vergonhas. Todas as coisas que só saberei quando ensinar pro meu menino, bem devagar. Depois eu durmo. E ele, feito homem, levanta e vai viver a vida."

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